O mercado de locação no Brasil vive um cenário que exige atenção estratégica.
Dados recentes mostram um contraste importante: enquanto a Classe C representa a maior parte da população, sua presença efetiva nas locações formais ainda é limitada.
Esse desequilíbrio revela, ao mesmo tempo, um desafio relevante e uma oportunidade pouco explorada.
O Anuário de Dados da FC Análise 2025 aponta que apenas 17% das propostas de locação vieram da Classe C, faixa de renda entre R$ 1.525 e R$ 4.607.
Esse número chama atenção principalmente quando comparado ao tamanho desse público.
Segundo a FGV Social (2024), a Classe C representa cerca de 61% da população brasileira, ultrapassando 130 milhões de pessoas
Essa diferença entre representatividade populacional e participação no mercado de locação formal indica um desalinhamento relevante.
A principal explicação está no nível de comprometimento de renda.
Apenas 30% dos candidatos da Classe C conseguem manter o aluguel dentro do limite de até 30% da renda, considerando imóveis de até R$ 1.500
Já os demais apresentam níveis mais elevados:
Esse cenário evidencia uma margem financeira reduzida e reforça a necessidade de análises mais profundas na avaliação desse público.
Além da questão de renda, existe um fator estrutural importante: a oferta.
Dados de março de 2026, com base em anúncios do ZAP, mostram:
Isso representa apenas 11% da oferta nacional nessa faixa de preço.
Na prática, existe um grande volume de demanda diante de uma oferta proporcionalmente restrita.
Estudos do Índice FipeZap e do QuintoAndar indicam um comportamento interessante do mercado.
Imóveis de menor valor tendem a apresentar maior rentabilidade de aluguel.
Isso acontece porque:
Esse conjunto de fatores contribui para um rental yield mais elevado.
Mesmo com alta demanda, grande parte desse mercado ainda opera fora do ambiente formal.
Segundo Edison Parente, VP da Imobiliária Renascença:
“Por uma questão cultural e também financeira, os proprietários de imóveis com aluguel até R$ 1.500 procuram menos as imobiliárias e o mercado formal de anúncios”
Muitos optam por negociações diretas:
Esse comportamento limita a presença desse segmento nos portais e na estrutura profissional do mercado.
Outro fator relevante é a valorização dos imóveis.
Segundo Lucas Muller, diretor da Ibagy Imóveis:
“É muito difícil encontrar um imóvel abaixo de R$ 1.500 de aluguel em algumas regiões”
Com isso:
Diante desse cenário, o avanço do mercado passa por três pilares principais:
O uso de modelos preditivos, como o FC Score, permite identificar perfis com maior probabilidade de manter o pagamento em dia, mesmo sob pressão financeira
Isso aumenta a segurança e a eficiência das operações.
A profissionalização dos processos reduz custos operacionais e melhora a experiência.
Isso inclui:
A inteligência de dados permite:
A reforma tributária tende a impulsionar a profissionalização do setor.
Segundo análise da própria FC, o principal impacto não será o aumento de custos para a maioria dos proprietários, mas sim a redução da informalidade
Isso pode ampliar a atuação das imobiliárias nesse segmento.
O mercado de locação voltado à Classe C apresenta um cenário dual.
De um lado, desafios relacionados ao comprometimento de renda e à estrutura da oferta.
Do outro, uma oportunidade relevante em um segmento amplo e ainda pouco explorado.
Com tecnologia, processos estruturados e uso inteligente de dados, é possível ampliar o acesso à moradia e fortalecer a sustentabilidade do setor.
A tendência é clara: quem entender esse movimento primeiro, terá vantagem competitiva.
Fonte: FC Analise Digital