Sorria: Barra mais barata

Apresentada desde os anos 70 como o futuro do mercado imobiliário carioca, a Barra tem uma novidade para quem cogita se mudar para o bairro: aluguéis consideravelmente mais baratos após o boom olímpico do ano passado. Um levantamento que acaba de ser divulgado pelo Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio) mostra que o valor médio do metro quadrado para locação residencial na Barra caiu quase 7%, entre janeiro do ano passado e março deste ano, ainda que continue a ser o mais alto naquela região (R$ 32,58/m²).
O bairro concentra a maior parte do legado deixado pelos jogos, como o metrô e as linhas de BRT, e ainda assim teve uma desvalorização maior do que vizinhos como Recreio, que teve queda de 5,5%, e Jacarepaguá, com redução de 6%.
Esse movimento tem uma explicação. Segundo o vice-presidente do Secovi-Rio, Leonardo Schneider, a queda nos valores do aluguel resulta da combinação entre a construção em massa de empreendimentos na região e a crise financeira que já se arrasta por três anos. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, 68% de todas as unidades habitacionais lançadas na cidade entre 2005 e 2010 estavam concentrados em apenas quatro bairros da Zona Oeste: Barra, Jacarepaguá, Recreio e Campo Grande.
– Muita gente comprou imóveis no bairro como investimento, nos bons anos do mercado, aí por volta de 2012 e 2013. A ideia desse público era aproveitar os alugueis por temporada e a possibilidade de revenda por um preço maior do que o adquirido – avalia Schneider.
Mas a crise acabou forçando estes investidores a uma mudança de planos. Quem esperava revender os apartamentos, por exemplo, preferiu alugar esses imóveis até que o cenário melhore.
– Isso fez com que a oferta aumentasse ainda mais, embora a demanda não tenha crescido na mesma proporção – afirma ele.
EXPECTATIVA DE MUDANÇAS
Esse desequilíbrio, entretanto, pode mudar. Para Schneider, o bairro ainda vem recebendo alguns impulsos, como a recente integração do metrô, que deixou de exigir baldeação para quem vai da Tijuca à Barra. E com uma oferta de condomínios mais espaçosos e com infraestrutura completa, a região tem se mostrado interessante para quem busca qualidade de vida.
O empresário Pedro Luiz de Souza, por exemplo, morava em Botafogo e escolheu a Barra, mais precisamente o Jardim Oceânico, como endereço, quando resolveu aumentar a família, no ano passado.
– Eu e minha esposa decidimos ter um filho. Então, precisávamos de um apartamento de três quartos, para que houvesse espaço também para as visitas – relata ele. – Quando começamos a comparar, vimos que o preço que pago hoje por um imóvel de 120m² na Barra daria para, no máximo, um apartamento de 60m² na Zona Sul.
Ao contrário do que imaginam muitos cariocas, o empresário afirma que consegue manter uma vida parecida com a que levava em Botafogo. Como trabalha próximo ao endereço onde mora, ele faz o deslocamento de bicicleta e até almoça em casa todos os dias. A região também tem muitos pontos comerciais aos quais se pode chegar a pé. Quando quer ir à Zona Sul, ele pega o metrô.
A realidade de Souza, entretanto, não representa o padrão mais comum de vida do bairro. Segundo o economista especializado em mercado de capitais e professor da Facha, Fábio Neves, isso é uma exclusividade do Jardim Oceânico. Nas demais áreas, é preciso bastante planejamento antes de encaixotar os móveis.
– Dependendo da localização, os moradores ficam dependentes de carro para fazer todo tipo de deslocamento. Por isso, há muitos condomínios que oferecem vários tipos de serviços em seu interior – observa ele.
CONDOMÍNIOS MAIS CAROS
Este último ponto observado por Neves guarda um outro ponto sensível do bairro: taxas de condomínio mais altas. O próprio levantamento do Secovi apurou que, devido aos espaços comuns dos prédios serem mais incrementados, as taxas cobradas ultrapassam valores que correspondem a 30% dos alugueis.
Segundo o vice-presidente da administradora de imóveis Renascença, Edison Parente, os imóveis da Barra também costumam ter como atrativo varandas e garagens, serem mais silenciosos e ter uma estrutura atualizada em termos de piso, hidráulica e elétrica.
– Normalmente famílias com crianças até 14 anos se adaptam melhor devido à infraestrutura de condomínio clube, uma marca registrada do bairro – avalia ele.
E se os aluguéis já estão mais baratos, Parente afirma que dá para ir além dos 7% já contabilizados pelo Secovi.
– Na atual conjuntura, sempre é possível obter mais descontos no aluguel. Do valor anunciado, dá para pedir uma redução de 5% a 10%. Em alguns feirões que fazemos, chegamos a oferecer até três meses de carência no aluguel. Os interessados também podem negociar isenções no condomínio e no IPTU do ano. Em geral, os proprietários não oferecem mais de um desses benefícios. Mas a regra é pedir para ver o que se consegue – recomenda ele.

O Globo, Eduardo Vanini, 23/abr

sorriabarra

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *